Professores de 12 estados iniciaram o
ano letivo com greves, manifestações e atritos com os governos
estaduais. Segundo a secretária-geral da Confederação Nacional dos
Trabalhadores da Educação (CNTE), Marta Vanelle, os movimentos que
ocorrem em todo o país demostram a insatisfação dos profissionais do
setor, até hoje aguardando os reajustes salariais determinados por lei
no último ano. Para ela, 2012 está sendo marcado por um “colapso na
educação”. As greves estaduais deste ano dão continuidade aos movimentos
grevistas de 2011, cujos acordos, em muitos estados, não foram
cumpridos. “Ano passado, 15 redes estaduais fizeram greve e, até o
momento, não tiveram o cumprimento da lei do piso salarial. Os acordos
feitos durante o processo de negociação parecem ter sido esquecidos
pelos governos”, afirmou.
O Ministério da Educação (MEC) definiu no ano passado o valor de R$
1.451 como piso nacional do magistério para 2012. O aumento de 22,22%
foi estabelecido pela Lei 11.738, de junho de 2008, que determinou ainda
que nenhum professor pode receber menos do que o valor estabelecido
para uma jornada de 40 horas semanais.
Sem o cumprimento do determinado pelo MEC e dos acordos fechados no
ano passado, desde o inicio do ano, professores estaduais de São Paulo,
Brasília, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Rondônia entraram em greve
reivindicando, entre outros pontos, reajuste salarial para toda a
categoria. Os estados de Bahia, Sergipe e Piauí continuam em greve e
aguardam negociações com seus respectivos governadores.
Marta lembrou que as polêmicas em torno do reajuste salarial já
chegaram ao Congresso Nacional. Segundo ela, os professores estão
procurando deputados federais para defender a lei do piso nacional e
intermediar possíveis acordos. “Todas essas greves e manifestações são
sinais de que os governadores não querem cumprir a lei.”
As paralisações, coordenadas pela CNTE, voltam à pauta nacional nos
dias 24 e 25 deste mês, quando representantes de professores
encontram-se em Brasília para o Conselho Nacional da confederação.
Durante o encontro, os docentes vão avaliar o quadro da educação e das
greves, além de planejar os próximos passos de mobilização.
Principais greves do país
No Piauí, trabalhadores em educação decidiram durante assembleia na
quarta-feira (9) dar continuidade à greve estadual que já dura mais de
70 dias. Nos últimos dias, a comissão de negociação obteve avanços em
alguns pontos. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública
(Sinte-PI) e a cúpula do governo estadual entraram em acordo sobre o
pagamento de 22,23% para toda a categoria e auxílio-transporte
diretamente no contracheque dos trabalhadores.
Entretanto, a categoria decidiu manter a paralisação, após o governo
anunciar o parcelamento do reajuste salarial em quatro vezes. Segundo o
sindicato, os trabalhadores exigem que o reajuste seja pago de uma só
vez para que não haja risco de o servidor ficar sem receber o valor
completo. O governo comunicou por meio do secretário de Educação, Átila
Lira, a decisão de convocar novos professores concursados para
substituírem os grevistas e retomar as aulas na rede estadual de ensino.
Professores das escolas públicas da Bahia completaram na sexta-feira
(11) um mês de greve e paralisaram a maioria das 1.450 escolas da rede
estadual. Os docentes pedem o aumento de 22,22%, mas o governo do estado
concedeu um reajuste linear de 6,5% e diz que a reivindicação não será
atendida, porque falta de caixa. Devido ao impasse, o diálogo está
suspenso e o governo diz que só volta a receber os lideres do Sindicato
dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB) quando a categoria retomar
o trabalho.
No Sergipe, a greve dos educadores da rede estadual já dura 26 dias.
Os trabalhadores reivindicam reajuste de 22,22% para toda a categoria e a
criação de um plano de carreira. O governo do estado entrou com pedido
liminar no Tribunal de Justiça pela ilegalidade da greve. O juiz
substituto José Pereira Neto, antes de se posicionar, solicitou
audiência para ouvir a posição do Sintese, sindicato da categoria. A
data ainda não foi marcada, e o impasse continua.
Em Santa Catarina, embora a greve dos professores estaduais tenha
acabado na última terça-feira (8), as negociações prosseguem. A classe
estava em greve desde 18 de abril, mas decidiu atender ao pedido do
secretário de Educação, Eduardo Deschamps, que afirmou que as
negociações só seriam retomadas quando as aulas começassem. O Sindicato
dos Trabalhadores em Educação do Estado (Sinte) informou em nota que
dará o prazo de 30 dias para a secretaria atender às reivindicações.
Caso isso não ocorra, a categoria voltará a fazer greve. Entre as
principais reivindicações, estão o reajuste de 22,22%, para que haja o
cumprimento do piso salarial nacional, e melhorias na estrutura da rede
de ensino.